Tudo o que eu quero saber é onde você está agora. Faz dias que não me dá notícias. Não gosto do seu silêncio. Sei que está aqui porque vejo suas pegadas, mas continua o vazio porque não vejo teu rosto. E do que adianta? Sempre me sinto no direito de cobrar explicações. Quer dizer, ainda. No fundo sei que estou errada, mas não posso simplesmente cessar o desespero de ficar 96 horas sem uma palavra sua.
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Meu amor,
me faça acreditar que tudo é possível
porque eu temo que não amanheça se você se for.
Eu costumo abandonar as coisas que amo.
Uma hora estou aqui, cobrando o seu oxigênio.
Outra hora fecho os olhos,
E já não sei aonde estou.
Só sei que te deixei, com seus planos e sua tv.
Não que eu me sinta bem com isso,
Eu só não sinto nada.
Quase como uma hipnose.
Eu poderia ficar um dia inteiro, dois, ou três dias seguidos
Me divertindo nesse quadrado virtual.
Procurando fatos ou suposições diversas sobre mim,
Sobre o meu amor. Minuciosamente. Obsessivamente. Interpretando-as de 15 mil formas diferentes, só pra ver se algum detalhe não escapou dos meus cílios.
Ou clicando, freneticamente, o botão esquerdo: 'salvar imagem como',
salvando imagens de doces. O dia inteiro.
Uma overdose de glicose virtual.
Feliz em encontrar vírgulas erradas em textos que julgo melhores que o meu.
Sentindo o meu nervo infernal aliviado.
Nada mais do que uma explosão passageira de algum sentimento maligno guardado.
Triste.
Porque eu estou a cinco mil passos por segundo fazendo as mesmas coisas todos os infinitos dias.
E fazendo coisas que eu não sei.
Lendo palavras que eu não conheço.
Olhando para números indecifráveis.
Enferrujando o meu cérebro com gotas de estresse e goles de coca-cola,
Como um robô de 1984.
Sem coração pra bater,
E sem tempo pra respirar.
Chega de protestos.
Chega de gritos, ídolos e perguntas.
Brindem o meu silêncio.
Porque no fundo todos estão indo embora.
Todos vão.
Não posso mais criar uma guerra por sentir necessidade da tua presença.
Ou, simplesmente, saudade.
Até porque as guerras também acabam.
Ou levanto a bandeira da paz, ou mato todo mundo. Esse é desfecho.
Então penso nas voltas do mundo. Uma hora eu vou estar no topo.
Não é vingança. É consentimento.
Tenho que aceitar. Temos.
É melhor calar, antes que a loucura venha à tona.