Ainda me corrói a curiosidade de saber como se encontra teu rosto,
tuas mãos,
teu cabelo,
teus sonhos,
E principalmente tua voz, que já nem me lembro o som.
Quanto a mim,
que também me perdi durante todo esse tempo,
só há o fato de que continuo perdida
E de que guardei todas as datas que fingi esquecer.
Inclusive estes, agora, são meus pesadelos.
Nem sei se aconteceram realmente, mas os tenho todas as noites, desde que decidi ir embora, dia vinte aliás, vinte de janeiro.
Mas são esses, são esses os pesadelos mais horríveis dos que tenho
E sempre começam na ultima palavra do dia trinta de março,
Seguem pelo egoísmo que chorei no dia três de abril,
E acabam no que gritei no dia quatro.
O que resta é apenas o silêncio da tua voz que não escuto,
E a vontade de acordar e ver que não passou de um pesadelo.
Acontece, saudade, que eu não te vejo quando abro os olhos,
Não sinto o teu cheiro,
E nem, ao menos, encontro tuas roupas.
Logo me lembro que não consegui parar o trem que me levou embora de mim.
Pelo menos ainda tenho as tuas músicas.
Inclusive as ruins, que não têm música nenhuma.
É triste, saudade, mas o que me conforta é como acaba.
Assim mesmo, sem ponto final;
Preciso urgentemente sair desse lugar,
Dessa rotina tóxica,
Dessas pessoas e amores perdidos,
Esquecidos, proibidos,
Dos meus sonhos,
Dos meus fracassos.
Não sou forte como pensei.
E não preciso de frases de superação e auto ajuda,
tampouco me importam.
Quero ir embora e preciso ir embora.
Não é descaso,
É asma.
Não consegui me adaptar à poluição.
E nem vou.
Só estou triste,
Não morta.
Ninguém disse que seria fácil jogar o próprio sonho no lixo.
E não é.
Acabou, mas ainda tenho muito para correr.
E vou.
O tempo não para, meu amor.
Deixo aqui os meus sinceros agradecimentos à todos aqueles que algum dia desejaram o meu fracasso, provocaram o meu ódio, me feriram e me decepcionaram.
Agradeço à hipocrisia, aos dias de paz que vocês me tomaram, à todas as mentiras que me disseram, e às lágrimas e gritos que me arrancaram.
Agradeço, também, àqueles que preferiram se privar dos melhores momentos da minha vida, apenas por opção, preguiça, ou qualquer outro motivo inerte e estúpido, me fazendo, muitas vezes, perder a fé que eu levava em mim mesma.
Muito obrigada, mas eu já caí um milhão de vezes. Me recuso a aceitar essa situação novamente, pois o meu único propósito, daqui em diante, é me reerguer com todas as pedras que vocês me atiram.
E se não for o suficiente para vocês, continuem.
Mas tragam um exército.
À vocês, meus caros, muito obrigada e uma boa noite.
Por
Maria Clara Melchioretto.
19:40
Uma hora a gente teve que se encontrar,
Como dois passageiros que se encontram toda a manhã no trem.
Virou rotina.
Eu vou pro meu caminho e você vai pro seu.
E a história acaba no final do dia.
Fim.
Por
Maria Clara Melchioretto.
18:13
.
É involuntária a minha vontade de querer sempre mais, de querer sempre o extremo de todas as coisas.
Já estou cansada de saber que isso só me leva ao meu próprio fracasso,
magoando a todos e principalmente a mim mesma,
me matando aos poucos só pra ver até onde vai a minha vida.
Já te disse que eu não vou mudar.
Estou completamente decepcionada comigo mesma
e com as minhas atitudes impulsivas e imprevisíveis,
sempre deixando pra lá todos os deveres e sentimentos alheios,
Porque a única coisa que o meu cérebro consegue absorver agora é adrenalina e mágoa.
Já desisti de mim mesma e só estou carregando o meu corpo porque ainda me querem viva.
Penso.